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Consolada

É minha vizinha, conheço-a desde que me lembro, ás vezes ao fim do dia vejo-a nos bancos que existem junto ao prédio.

Ela porque vive só e gosta de ver pessoas como costuma dizer, eu porque gosto de estar com estas pessoas.

Pergunto eu, – Dona Conceição, como vai essa saúde?

– Oh filha nem sei bem, a médica está sempre a inventar, tenho de tomar dois comprimidos ao dia tu vê lá.

Eu que tomo 3 comprimidos por dia e tenho metade da idade, disse-lhe:

– Deixe lá eu também tomo, o que interessa é que se sinta bem.

– Eu sinto-me bem, tenho pena é de não poder beber a minha pinguinha, mas ás vezes engano, não os tomo e bebo.

– Engana-se a si dona Conceição.

– Eu sei filha, mas sabe tão bem. Assim comá sim eu não tenho ninguém a quem dar satisfações e olha, quando morrer vou consolada.

Tentei dizer algo, tentei pensar em algo, mas não saiu nada, com 89 anos, sem marido e filho (morreram) realmente poucas restrições devemos impor, é um consolo, diz ela.

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