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Conta-me histórias #5

Conta-me histórias #5

O Conta-me histórias hoje é com um “menino”, tem o blogue  Partícula do Infinito, tem sentido de humor, o que muito aprecio, e esta semana achei por bem dar a palavra a um homem. E ele correspondeu, escreveu um conto tão fofinho, um texto amoroso, típico de…mulher.

Muito obrigada Moralez pela simpatia e pelo texto, gostei muito.

“O encontro adiado…

Nunca tinha ficado impaciente com um encontro, mas nesse dia sentia-me um pouco inquieto. Tínhamos combinado às 15h na casa dela, ela e a melhor amiga estavam à minha espera para um passeio de Domingo à tarde. Nem sequer era um encontro, era uma saída de amigos, não iriamos estar a sós e eu tinha quase a certeza que ela nem sequer tinha percebido que estava interessado nela, mas sentia um friozinho na barriga.

Como detesto chegar atrasado saí de casa mais cedo, peguei no carro e lá fui eu, tinha carta de condução há um mês, mas já conduzia desde os 16 anos (não me orgulho disso, percebo a irresponsabilidade que era) nunca tinham tido sequer um toque, fará um acidente.

Mas quis o destino que, nesse dia, eu estivesse no local errado e na hora errada. Lembro-me perfeitamente do acidente, tinha ultrapassado uma fila de carros estacionados e estava parado para virar à esquerda, quando surge detrás da lomba na estrada uma moto na minha direção, por causa da lomba o motociclista não me viu e bateu de frente contra o meu carro à velocidade que vinha, a moto ficou enfaixada na frente do meu carro e o motociclista voou por cima do carro.

Montou-se de imediato um circo à volta do acidente, uns diziam que a culpa era minha, outros diziam que a culpa era dele, polícia, ambulância, um monte de gente. O rapaz teve de ir de urgência para o hospital, felizmente não teve nada de maior, acabou por ser só um grade susto, os pais dele resolveram as coisas com os meus pais e confirmou-se que a culpa não tinha sido minha.


Entre o acidente e a resolução passaram-se umas 2h, de seguida fui para a casa ouvir música para relaxar, estava triste por ter falhado o compromisso mas não tinha como as avisar, na altura os telemóveis eram umas caixas gigantes que se colocavam nos carros, ninguém com 18 anos tinha telemóvel, Internet também não era um meio de comunicação comum, a forma de comunicação mais rápida era o bom e velho telefone, mas não tinha o telefone de nenhuma das duas, haveria de falar com elas depois, a verdade é que estava bastante preocupado com o estado do rapaz, porque embater a 80km/h num carro parado é complicado, ele vinha claramente em excesso de velocidade.


Felizmente a B, minha amiga e vizinha, assistiu ao acidente era também amiga e colega de turma dela. No dia seguinte quando ela lhe falou sobre a minha falta de consideração a B contou-lhe do acidente.

Soube mais tarde que ela e a amiga me rogaram 20 pragas, estavam muito chateadas com a minha falta de consideração, mas que num momento de lucidez ela terá dito – Que más que nós somos, se calhar aconteceu-lhe alguma coisa. E se teve um acidente? Espero que não lhe tenha acontecido nada.
No dia seguinte terá tremido ao saber do acidente, mas mesmo assim não me livrei de ouvir que deveria tê-las tentando avisar no próprio dia.

A nossa primeira saída ficou adiada por uma semana, na semana a seguir saímos e tudo correu bem.

Este foi o primeiro de muitos encontros e desencontros, afinal eu tinha motivos para estar impaciente, bem lá no fundo já sabia que ela não era só especial, ela era mesmo a tal.”

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