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Na paragem

A dona Emília tem já 70 anos, mas é pequena e magra, andar ligeiro e toda desembaraçada.

Senta-se ao pé de mim na paragem do autocarro, refilava que estava muito frio e não estava bem agasalhada.

Conheço-a do bairro mas nunca tinha conversado com ela e  meti conversa.

Ela conta-me que o pai morreu cedo, era a 7ª filha a mãe sem condições os irmãos foram todos separados.

Ela aos 18 anos quando saiu de uma instituição, começou a trabalhar em casa de uma senhora, esteve lá muitos anos, eram bons para ela.

Quando a patroa morreu veio embora, o patrão já de idade foi para casa de um dos filhos viver, e ela ficou desamparada novamente. A partir daí viveu sempre em situações precárias.

Recebe uma pensão mínima de velhice, vive de caridade num anexo onde chove como na rua, deixou de ir ao médico, pois não pode pagar os medicamentos, não tem ninguém.

O autocarro chegou, era o dela, despediu-se com um até logo menina e foi, fiquei ali a olhar até desaparecer da vista.

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